Tenho insônia. Ô coisa ruim. "Acordei" com sono. Fui ao banco, estou resolvendo um lance de uma carta de financiamento ai. Fui levar mais papel....tudo nesse mundo é tão burocrático, chato. De lá tinha que ir ao trabalho. Deveria chegar mais cedo que aquele horário. Olho para o relógio, meio-dia! Almoço...pegar ônibus...tento disfarçar o tempo conversando com alguém, quero chegar logo. Preciso falar com alguém. Tem uma moça no ônibus. Bonita!
- Oi! Que calor não?
- É, chove, mas está abafado...Sabe, quando saio do banheiro já vou para a frente do ventilador, já saio com calor.
- Eu tb. Além disso, durmo a noite toda com o ventilador ligado.
- Lá em casa tem dois, um para mim e outro para meus filhos. Sou eu e eles...
- Não é fácil né?
- Né não...
- Tem um que dorme comigo sabe? Quero tirar...ele já tem 12 anos. Ainda não consegui tirar. Falo com ele para ele não ir dormir na minha cama, quando vejo ele já está lá. Como ele está grande e não consigo carregar...deixo lá.
- É mas, é bom tirar com o tempo. Ele é dependente de você?
- Até que não, é independente até de mais. Já tem namorada. Só é assim na hora de dormir. Vou te confessar uma coisa. Esses dias ele foi para a casa da tia....menina, não consegui dormir. Acostumei com ele na cama, comigo. Me sinto só...
- Ah...........! Entendo...não é fácil ser mãe e pai né?
- É.
Tarde....
Trabalho, muito trabalho. Por onde começar? A "chefa" tem palestra fora. Vou com ela. Tanta coisa para fazer...ligação de minha mãe. Minha cachorra está doente...culpa minha, que não cuido dela como ela merece. O banco liga - ai, o que será? - levar outro documento e fazer um pagamento. Saco! E estou assistindo a palestra...a "chefa" não começou a falar ainda...entendo pouco o que se fala...faço apenas algumas conexões...mas, e dai? O que estou fazendo aqui mesmo? Que vontade de sair correndo...Me sinto cansada, não na carne...por dentro. Fragilizo. Vontade de chorar. Ops, as lágrimas vão sair. Aqui não, eles vão ver. Não podem ver. Nada podem fazer, mesmo que pudessem. Nada fariam. Possuem suas próprias lágrimas, seus mundos, suas vaidades...ânsias de poder. Vou ao banheiro. Choro! Oro! Respiro. Limpo os olhos, o lápis borrou um pouco. Pronto. Volto. Ela me olha. Dá um sorriso, retribuo, mesmo sem querer...mesmo com tanta dor. É assim que tem que ser. É assim que é.
terça-feira, 18 de março de 2008
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